Como encontrar a inovação em tempos difíceis

Texto adaptado e elaborado por: Rafaela Fernandez e Pedro Porto

Foto: Unsplash


Um grande desafio para os líderes em tempos de disrupção e incerteza é continuar aprendendo a inovar tão rápido quanto o mundo está exigindo a partir de suas mudanças. Seja para analisar novos problemas com os quais não se depararam antes, seja para perceber oportunidades que eles não tinham visualizado anteriormente ou mesmo para processar emoções que não haviam experimentado ainda.


Nesse momento, os líderes devem encorajar os demais a aprender a partir de experiências em áreas ou campos distintos. Práticas que são rotina em uma indústria podem revolucionar quando migradas para outro tipo de negócio.


A maneira mais fácil de alimentar a imaginação e inovar dentro de uma empresa é buscar inspiração em outras áreas, negócios ou indústrias. Trago aqui o exemplo do que nós, da Kharcarad, desenvolvemos ao adaptarmos para o Telemarketing, em especial para a Central de Recuperação de Crédito, o Overall Efectiveness Equipment, mundialmente famoso pela Toyota como um indicador para avaliação e trabalho de otimização da performance.


Para achar soluções criativas e otimizar seus resultados, busque conhecimento fora do seu negócio. Não se limite aos conhecimentos dele.

Na pesquisa sobre Liderança e Aprendizado Organizacional de Christopher E. Bogan e Michael J. English é compartilhado um estudo de caso de como aceitar ideias de um campo pode rapidamente transformar uma outra área.



O caso Ford


Em 1992, Henry Ford observou o processo de um matadouro. As carcaças estavam penduradas em um monotrilho e após cada homem realizar seu trabalho, ele empurrava a carcaça para a próxima estação. Ao final da visita, Ford agradeceu e teve uma ideia a partir da observação desse processo. Em menos de 6 meses depois, o mundo tinha sua primeira linha de montagem na Fábrica de Ford Highland Park - EUA.


Ford revolucionou toda a sociedade ao reduzir custo de produção. Foto: Divulgação/Google

Funcionava assim: os carros passavam na frente dos operários, que ficavam parados ao contrário do que ocorria antes e, assim, foi introduzido o processo industrial à linha de produção móvel, passo essencial para construção dos automóveis. A metodologia ajudou a otimizar a eficiência, reduzir custos e preço e possibilitou a produção em larga escala de automóveis.



Aprendendo com outras áreas


Um outro exemplo da aplicação de conhecimentos de um campo para outro está no recente caso mencionado no artigo da Harvard Business Review de um veterano do exército que repassou técnicas usadas em campo de batalha para lidar com traumas como os que agora os profissionais da saúde do Hospital de Chicago estavam enfrentando devido a COVID-19. Exemplo esse que poderia ser disseminado para a maior parte dos hospitais do mundo.


Resgate de meninos na Tailândia é exemplo de inovação. Foto: Divulgação/Google


O caso do resgate da caverna dos meninos do time de futebol na Tailândia é um dos exemplos de maior necessidade de inovação para uma operação de altíssimo risco. Esperava-se que o exército, que estava totalmente comprometido com a situação, pudesse solucionar sozinho o resgate. Contudo, além de buscar os melhores mergulhadores do mundo, foi necessária a aplicação de um procedimento cirúrgico anestésico para permitir que de fato se viabilizasse o deslocamento submerso por horas de todas as crianças que estavam presas na caverna. O caso completo foi contado no documentário The Rescue disponível no Disney +.


Um outro caso de cooperação entre áreas distintas está na parceria entre médicos e detetives para resolução de casos difíceis. Um exemplo disso é a iniciativa do Coronel Dean Esserman, criando o “Cops and Docs”, assim os detetives de Esserman conversavam com os médicos da Brown University Medical School, gerando uma troca de aprendizado para resolução de casos, situações complicadas e conflitos.


À essa troca de aprendizado entre áreas distintas damos o nome de Inovação aberta (ou Open Innovation, no original). A ideia aqui é que haja cooperação entre empresas, indivíduos e órgãos públicos para a criação de novos produtos e serviços.


A ciência alcançou um nível tão alto de complexidade que é preciso unir forças para continuar inovando. Por sorte, vivemos em um mundo hiper conectado, que permite comunicação fácil. A parceria com outros players ainda pode produzir aquela mágica que os empreendedores tanto amam: reduzir custos, com o bônus de diluir os riscos. (Distrito.me)

Com essa colaboração mútua, ganham todos os setores: a ciência, por ter acesso ao que está acontecendo no mercado; e as empresas, por estarem dentro do que os cientistas vêm pesquisando e desenvolvendo.


O caos moderno


O caos e a crise dos últimos dois anos têm criado diversos questionamentos para líderes e organizações. Um dos maiores questionamentos é:

Nós temos ideia de onde procurar novas ideias?

Quando se trata de inovação e resolução de problemas, a área de Pesquisa e Desenvolvimento sempre terá seu papel. Hoje, porém, a maneira mais rápida de entender e superar desafios é pesquisar em áreas não relacionadas mecanismos que estão funcionando há um bom tempo. Por que apostar em ideias e estratégias que ainda não foram testadas se você pode rapidamente aplicar outras que já foram comprovadas em outros lugares?


Assim líderes podem ajudar uns aos outros a continuar aprendendo e inovando em suas áreas tão rapidamente quanto o mundo está mudando.



Fontes
1. Harvard Business Review - To Find Creative Solutions, Look Outside Your Industry
by Bill Taylor. Disponível em: https://hbr.org/2022/02/to-find-creative-solutions-look-outside-your-industry

2. Inovação aberta: o que é e os benefícios para a empresa. Disponível em: https://distrito.me/inovacao-aberta-open-innovation/