A importância da linguagem comum¹ em BI para a transformação digital

Texto adaptado e elaborado por: Rafaela Fernandez e Thais Barros


Foto: Unsplash


Uma linguagem comum¹ em análises de dados de negócio funciona como uma alavanca para o objetivo de acelerar o desenvolvimento tecnológico das empresas. Contudo, fazer isso acontecer na prática requer bastante esforço. Faz-se necessário compromisso da liderança e engajamento de colaboradores que possuam diversas capacidades desenvolvidas.


O papel de um Gerente de Negócio experiente, que busca deixar a equipe alinhada com uma linguagem comum, deixando claro o objetivo do negócio, dando direcionamento, providenciando os recursos necessários, é essencial para estar à frente da transformação digital da empresa.


Esse líder precisa reunir pessoas com as seguintes características:

  • Pessoas com análise crítica que conheçam os conceitos/termos e possam chegar a uma linguagem comum;

  • Analistas habilidosos com experiência no negócio que podem levar os conceitos com uma linguagem de fácil compreensão para o time;

  • Pessoas com habilidades de negociação, capazes de remover impedimentos e promover alinhamento entre as equipes;

  • Agentes de mudança que convencem o time a adotar essa linguagem comum;

  • Técnicos capazes de transformar essa linguagem em sistemas.


“Em uma definição simples, a transformação digital está relacionada ao uso de tecnologias – como internet das coisas (IoT), conectividade, análise de Big Data, inteligência artificial ou cloud computing – em processos dentro de uma empresa”.

Um exemplo prático da necessidade da linguagem comum para otimização da gestão da empresa é o do caso da Aera, uma empresa de energia dos EUA. A empresa passou por uma fusão e realizou uma grande aquisição, absorvendo diversos sistemas não integrados. Mesmo implantando um sistema de planejamento de recursos empresariais (ERP), a empresa ainda apresentava diversos sistemas legados, evidenciando uma situação insustentável.


Para solucionar, a Aera, então, definiu os conceitos/termos básicos que formariam a arquitetura de dados, apps e tecnologias, permitindo a substituição de centenas de sistemas.


A linguagem comum bem pensada e implantada é um verdadeiro investimento para a empresa.

A partir dos termos/conceitos definidos, a Aera construiu uma ETL (que significa Extração, Transformação e Carregamento de dados) sólida e assertiva.


O processo de construção da ETL é o momento em que todas as informações são extraídas de uma fonte de dados, podendo ser desde planilhas, arquivos de texto, APIs de sistemas ou qualquer forma de armazenamento de informações. Em seguida esses dados são convertidos ou carregados em um formato que possa ser analisado de forma objetiva e, posteriormente, armazenados em uma fonte de dados única, que chamamos de Data Warehouse.


É exatamente nesse processo de extração e conversão que uma linguagem comum faz toda a diferença dentro da organização, principalmente neste caso da Aera, tendo em vista que ela fez uma fusão absorvendo diferentes sistemas não-integrados.


A tarefa de gerenciar dados não é nada fácil, e sem um alinhamento entre as equipes a comunicação da importância dos dados e até das tecnologias seria uma missão impossível, pois cada um teria uma visão diferente. Ter funcionários que conheçam as informações, estejam imersos na estratégia, nos recursos tecnológicos da organização, que consigam expelir o que pensam de forma clara e simples e que se comuniquem com uma linguagem comum garante o sucesso desse processo, pois a partir disso não será obtida apenas uma simples análise de dados, será gerada uma grande vantagem competitiva diante dos seus concorrentes.


O processo de construção do ETL com essa abordagem se torna um diferencial dentro do negócio, pois é realizado cheio de insights, vindo de profissionais que têm propriedade no assunto, entendimento dos objetivos e recursos disponíveis, conhecimento dos pontos fortes e oportunidades. Isso só é possível com um time colaborativo, de um lado os funcionários analíticos e habilidosos que conhecem profundamente o negócio e de um time de tecnologia totalmente apto a entender e criar ferramentas assertivas.


Tendo feito um ETL bem estruturado, o próximo passo da Aera foi criar um data warehouse ou sistema de gerenciamento de dados projetado para ativar e fornecer suporte às análises avançadas de business intelligence (BI), possibilitando avaliação de recursos, de campos de petróleo e gás recém adquiridos, assim como proporcionando mais insumos para redesenho dos processos.



Conclusão


Quando planejar a transformação digital em sua empresa, não esqueça que o objetivo é fazer mais com os dados que você tem e isso não pode acontecer se seus dados não estiverem falando a mesma língua.



Nota¹: Os tipos mais utilizados de linguagem de banco de dados, hoje no mercado são:
- Oracle;
- SQL Server;
- MySQL;
- PostgreSQL;
- MongoDB;
- NoSQL.


Fontes:
I) Matéria publicada na Harvard Business Review por David C. Hay, Thomas C. Redman, C. Lwanga Yonke, and John A. Zachman

II) Matéria publicada pela Endeavor Brasil “Transformação digital nas empresas: como encontrar novos caminhos para o seu negócio?”